Morre filho do fundador da TV Record

Morre Paulinho Machado de Carvalho

Será enterrado hoje pela manhã, no Cemitério do Morumbi, o empresário Paulo Machado de Carvalho Filho, o mais velho dos três filhos do homem que batiza o estádio do Pacaembu e que colocou a TV Record no ar, em 1953. Paulinho Machado de Carvalho, como era conhecido, morreu ontem, aos 86 anos, em decorrência de uma neoplasia maligna de próstata, no Hospital Sírio-Libanês.

Irmão de Antônio Augusto Amaral de Carvalho, o Tuta, dono da Rádio Jovem Pan, e de Alfredo, já morto, Paulinho comandou a Record até 1990, quando a emissora passou às mãos de Edir Macedo e sua Igreja Universal.

Como o pai, que fora cartola do São Paulo Futebol Clube, Paulinho era torcedor fanático do tricolor paulista. Começou a trabalhar aos 16 anos, na Rádio Record, então instalada na Rua Quintino Bocaiuva, no centro, com programação musical.

Em 1944, Paulinho convenceu o pai a investir em uma rádio esportiva, e veio a Panamericana, rebatizada como Jovem Pan em 1965, somando-se ainda à Rádio São Paulo, destinada à programação de radionovelas. Era o Grupo de Emissoras Unidas, onde o ‘doutor’ Paulo, como o patriarca se fazia chamar, pôs os três herdeiros para trabalhar.

Em 27 de setembro de 1953, a família colocava no ar a TV Record, abrigada em uma moderna construção na Avenida Miruna, próximo ao Aeroporto de Congonhas, na zona sul, onde a Record funcionou até 1995 – o prédio agora vem sendo adaptado para abrigar um hospital do convênio médico pertencente à Igreja Universal. As Unidas também foram transferidas para a Miruna, sendo que a Jovem Pan (já nas mãos apenas de Tuta, que havia comprado a parte dos irmãos na rádio e deixado a sua na televisão) se mudou em 1976 para a Avenida Paulista, onde está até hoje.

Paulinho esteve à frente dos negócios por 60 anos. Foi dele a iniciativa de trazer ao Brasil alguns dos grandes nomes internacionais da música vistos em shows promovidos pela Record nos anos 60.

Festivais de música. Pelas lentes da emissora, passaram, entre outros, Louis Armstrong, Nat King Cole e Sammy Davis Junior. Testemunha de detalhes preciosos nos bastidores dos festivais de música brasileira promovidos pela áurea Record, Paulinho gravou depoimentos vistos agora no documentário Uma Noite em 67, atualmente em cartaz nos cinemas.

Durante os anos 80, a Record chegou a ter Silvio Santos como sócio em 50% do negócio, paridade acertada em negócio mal finalizado e incômodo para a família Machado de Carvalho.

No fim de 1989, já com a emissora em más condições financeiras, os sócios aproveitaram a oferta de Edir Macedo e acertaram a venda da Record. Segundo Tuta disse ao Estado em entrevista no ano passado, o dinheiro conquistado na ocasião mal deu para saldar as dívidas.

Paulinho foi o primeiro presidente da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão Brasileira, a Abert, da qual a Record nem faz mais parte.

Em 1967, ganhou o prêmio Personalidade de Vendas, da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil, a ADVB. Em 2006, lançou o livro Histórias? que a história não contou (Ed. Nacional), sobre episódios vividos por ele entre 1940 e 1990. São cenas do universo das comunicações, em especial relacionadas ao esporte e à música.

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